Instituto Pensar - Artigo: A armadilha da representatividade e do ?pretos no topo?

Artigo: A armadilha da representatividade e do ?pretos no topo?

por: Renata Noiar 


Representatividade importa, sim! Linha Mattel de bonecas profissionais negras Foto: Divulgação

Para o Portal Alma Preta, o articulista Ricardo Corrêa reflete sobre a luta pela representatividade, que deve ser vista como um dos caminhos para o combate ao racismo estrutural, mas que exige cuidado com as armadilhas dos pretos no topo no sentindo de não reforçar um sistema excludente.

"Os homens negros devem ajudar um ao outro a entender que estão sendo levados pela dinâmica da supremacia branca a causar danos extremos sobre si mesmos, uns aos outros e, finalmente, à raça negra? ? Dra. Frances Cress Welsing

Segundo o autor, o debate sobre a representatividade da população negra nos espaços midiáticos, publicitários e políticos têm conquistado um número maior de opiniões que convergem na compreensão de que é importante o aumento do número de negros, em todos os espaços sociais, como protagonistas. Quem é negro sabe muito bem o quanto somos atingidos, emocionalmente, nas poucas vezes que vemos pessoas negras ocupando cargos de relevância social.

São momentos em que se projeta sonhos, e se acredita na possibilidade de conseguir alguma posição que não seja marginal na sociedade. Daí a importância da representatividade na luta antirracista, por lidar na dimensão subjetiva de negros e brancos, possibilitando a desconstrução de estigmas e estereótipos que afetam a visão de mundo no contexto das relações sociais, como ensinou a psicanalista Maria Lúcia da Silva:

"É necessário saber que as relações entre brancos e negros estão permeadas por representações que precisam sair do plano latente e vir para o plano da consciência. Isto também significa que ações envolvendo a dimensão subjetiva do racismo precisam ser introduzidas na pauta do Movimento Negro, descortinando o impacto da imagem que brancos e negros têm de si e do outro.?

Mas, segue Ricardo Corrêa, é preciso reconhecer que não se pode viver somente de sonhos. O racismo estrutural impõe uma sobrevivência desumana aos pretos. Por essa razão, o empreendimento no aumento da representatividade não pode ser dissociado de ações políticas amplas, pois as conquistas devem sair do campo simbólico e atingir o coletivo. É fundamental medidas como as cotas raciais, que são exemplos importantes na redução da desigualdade racial. Com elas, vimos o aumento significativo da população negra nas instituições de ensino superior nos últimos anos.

Leia também: Não é toda pessoa negra que vai defender a negritude, diz advogada

Recentemente, a Magazine Luiza informou que priorizará candidatos negros no processo de seleção para o cargo de trainee. De acordo com a empresa, 53% da equipe são negros, mas apenas 16% ocupam cargos de liderança. Essa ação é outro exemplo no combate ao racismo estrutural. Aliás, a disseminação de medidas dessa natureza, no mercado de trabalho, ajudará a minar o privilégio racial que sempre beneficiou os brancos, ainda que os negros apresentassem melhores qualificações.

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